CARTA DE ADELINDO KFOURY – DE QUE LADO ESTÁ O PODER PÚBLICO ?

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Crudelíssimo (para usar o superlativo absoluto sintético aprendido nas aulas do saudoso Professor Nestor Passos) é o destino que, segundo li dias atrás neste corajoso site, estão desejando para o prédio do “Ginásio Divina Providência”, um dos marcos urbanos históricos de nossa cidade, ainda não destruído.  Pelo que me informaram, embora imóvel tombado pela sua importância comunal, já existe uma Comissão encarregada do “destombamento”…

Nada contra as pessoas que aqui aportam e logo são acolhidas fraternalmente.  É de nosso tradicional espírito adiciona-las à teia social sem jamais indagar sobre suas intenções. Exemplos têm se repetido que, possivelmente desinformadas, algumas não entendem o quanto representam para nós aqui viventes, certos valores materiais ou imateriais.  Itabuna se constitui numa eterna lição de pioneirismo, de trabalho, de idealismo, de acertos e equívocos. Tudo tem importância, sua circunstância, seu tempo, seus desafios, que resultam no município cosmopolita, prestador de serviços, polo multiplicador de desenvolvimento e também de sonhos. As personagens que fizeram a história de Itabuna merecem o respeito, o acatamento e a veneração, porque foram responsáveis também por um dos grandes capítulos da saga do povo baiano que sofrendo, trabalhando, se angustiando, porém crendo, tornaram possível a epopeia da civilização cacaueira. Se os pioneiros desbravaram a mata virgem, enfrentando as intempéries da natureza e a fúria dos índios e das feras, outros palmilharam o caminho da sensibilidade, da inteligência e da criatividade, tornando-se personagens de um mundo de sonhos, fantasias e, sobretudo, esperanças. A história de Itabuna contou com estes fazedores do bem e da criatividade, da sutileza de espírito e visionários de um futuro de grandeza e desenvolvimento.

Em nosso país, observo que a questão tem sido sempre a de escolher, não escolher e assim não ser antipático ou sectário a ponto de tomar partido e ser consequente com a individualização  fatalmente decorrente. Isso permite uma reflexão sobre os laços entre Poder Público e a sociedade. Esse poder será para nos proteger, ajudar e servir, ou para sujeitar-nos aos seus caprichos, até quem sabe, interesses pessoais?  Éditos, portarias e quejandos, moldados nos séculos XVI e XVII com ajuda do Direito Romano, passaram a ser o padrão da sociedade que em função da lei, têm de ser obedecidos.  Meu desejo agora não é discutir o papel do Poder Público (longe de mim tão pretensão) mas pedir permissão para fazer um apelo à Comissão que foi encarregada de encontrar um caminho para a destruição de um patrimônio histórico da minha terra, que faça o contrário, pelo amor de Deus !

Há um fator de fundamental importância para consolidação política, social e cultural de uma cidade, chamado coragem! Sem a coragem dos nossos desbravadores e nossos líderes do passado, esta terra não existiria. Daí que nós, do presente, não temos o direito da covardia.

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Walmir Rosario

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