CARTA DE ADELINDO KFOURY – CHAMBERLAIN, REDE GLOBO E LIXO ITABUNENSE…

Na década de 30, Arthur Neville Chamberlain era Primeiro-ministro da Inglaterra e como tal em setembro de 1938 assinou acordo de não agressão mútua com o presidente da Alemanha Adolf Hitler, coisa que não agradou ao Rei George VI (para quem o ditador nazista não merecia confiança). Embora até as pedras sob o asfalto da Cinquentenário saibam que não sou político partidário, pretendia nas maltraçadas de hoje extravasar decepção em relação ao Senador Demóstenes Torres, que junto ao Senador Pedro Simon eram únicos depositários de minha confiança naquela “casa mal-assombrada” em que se transformou o Senado Federal – de glorioso passado. Até já puxava pelos combalidos neurônios do octogenário cérebro, buscando relembrar o fio da história que culminou na frase dirigida a Chamberlain pronunciada pelo seu próprio chefe de gabinete no dia que renunciou, 10 de maio de 1940: “o senhor esteve sentado aqui por tempo demais para qualquer bem que tenha feito. Afaste-se e que tudo se encerre agora. Em nome de Deus, saia!”

Uma aéro-reportagem da Rede Globo, levando aos quatro quantos do Brasil uma triste imagem de Itabuna, fez-me mudar da ideia, deixando de lado o comentário que faria sobre as minúcias das estripulia nas quais se meteu Chamberlain, inclusive quando na Conferência de Munique, concordou com a divisão da Checoslováquia e a anexação da Boêmia ao Terceiro Reich, acreditando na garantia dada pelo presidente germânico de jamais atacar o Reino Unido, chegando até dizer pela BBC de Londres “I believe it peace in our time” (“eu acredito que ele é a paz em nosso tempo!”).

Tenho orgulho ser um velho jornalista, oriundo daqueles heróicos tempos em que as matérias eram escritas em máquinas de escrever, transformadas em textos impressos utilizando-se as letras de chumbo derretido “catadas” uma-a-uma e amarradas com cordão, após o que agrupadas nas “bacias” de ferro para formar as páginas, logo encaixadas na máquina impressora movida a braço humano (só tempos depois utilizada força elétrica…). Posso garantir que nos últimos sessenta anos acompanhei todas as formas e evolução da profissão. Defendo incondicionalmente a liberdade de expressão, a criatividade das reportagens, as idéias dos editoriais. Nem de longe passa pela cabeça condenar a matéria feita pela Rede Globo focando a maneira criminosa e irresponsável como é tratado o lixo em Itabuna. É bem verdade que isso ocorre em milhares de cidades brasileiras, talvez até em escala mais absurda. Fomos “sorteados”, concordo. O que fico a questionar é porque essa emissora jamais nos dispensou a mesma evidência em relação a fatos dignos de pauta. Agora mesmo estamos às vésperas do centenário de Jorge Amado, filho de Itabuna e como já divulguei em trabalho de pesquisa pessoal para comprovação teve o nascimento registrado em cartórios nada menos que 3 vezes… A escritora Rachel de Queiroz, após casar-se veio morar em Itabuna, onde viveu cerca de dois anos… é cidade natal do Ministro Jorge Hage… aqui residiu o maior cacauicultor do mundo, Oscar Marinho Falcão … é berço de um dos grandes santeiros do Brasil, chamado Osmundo Teixeira… Miss Brasil, Olivia Rebouças aqui nasceu… enfim, pauta para reportagens positivas é o que não falta. Além do quê, somos a primeira gleba de terra emancipada da Capitania de São Jorge dos Ilhéos importante fonte de fatos contribuintes para a História do Brasil.

E para quem desejar conhecer episódios corroborantes de que o verdadeiro Coronel do Cacau foi antes de tudo um fundador de cidades, oferecemos a tal estudo a saga dos sergipanos que aqui aportaram, pobres e alguns até analfabetos, cujas vidas oferecem páginas de gloriosos feitos.

Quando certa vez quando assumi a direção da Sucursal Sul Bahia dos Diários Associados, minha primeira condição foi a divulgação de amplo noticiário regional através da suas emissoras de TV e jornais nordestinos. Cumpria pauta diária de notícias e periodicamente reportagens consistentes. E nunca me faltaram assuntos.

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Walmir Rosario

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