CARTA DE ADELINDO KFOURY – PORQUE É SEU ANIVERSÁRIO

Terça-feira (20) passei  por triste golpe quando Paulo Nunes Filho (esposo de minha querida mais-que-cunhada: verdadeira irmã Alda!)  internado no Hospital do Coração HCor aqui em São Paulo, mesmo assistido por extraordinária equipe médica foi da vontade  do Grande Arquiteto do Universo levá-lo para Sua Eterna glória. O Destino também me reservou uma surpresa em meio àquele ambiente de dor e saudade: o Dr. Antonio Carlos Kfouri, Superintendente Corporativo da modelar unidade, é filho de Dr. João Kfoury o primeiro itabunense formado em medicina e, também, primeiro Diretor Médico do Hospital Santa Cruz (hoje Calixto Midlej Filho!) portanto, ambos meus primos.

SÃO PAULO:- Ninguém desconhece que um judeu das montanhas da Galiléia, com fama de doutrinador e capacidade de curar pessoas, surge em Jerusalém aos 33 anos de idade e em apenas três dias vive formidável drama de solidão, humilhação e morte. Nem o mais genial dos escritores conseguiu criar personagem como aquele aprendiz de carpinteiro, que sem rodeios dizia ser o filho de Deus e chamar-se Jesus (em hebraico Yehoshú’a, que quer dizer Iahweh salva). Nasceu em vilarejo pobre de não mais que 400 habitantes. Presume-se infância vivida num casebre coberto com palha e chão de terra batida. Ao contrário do que pintores renascentistas nos fizeram crer, Ele não era um homem branco, de rosto fino e cabelos claros. Tinha pele morena, cabelos negros, barba espessa de um típico árabe. Como todo judeu daquela época, vestia túnica feita com lã de ovelha, comprida como um vestido. Filho da dona de casa Maria e do carpinteiro José alimentava-se de pão, lentilhas e vinho, comendo peixe apenas nos dias de festa, quando recebia de presente. Embora de origem assim humilde, foi tão grandioso que até os séculos passaram ser medidos a partir do seu nascimento, num 25 de dezembro.

Em data assim maravilhosa por ser comemorada, procuro evitar os assuntos cotidianos, sobretudo os de agora onde predominam corrupção, violência, desemprego e coisas tais. Também não será justo cometer a costumeira ingratidão de colocar em segundo plano figura tão extraordinária como a do aniversariante do mês, para exaltar um velho de barbas brancas, saco nas costas, botas pretas roupa vermelha de frio e como palestra que dei semana passada no jantar natalino de meu Rotary Clube, volto contestar descuidadas adoções tradicionais e opinar que o chamado Papai Noel é um intruso na festa do Natal Brasileiro, não pertencendo sequer ao nosso quadro cultural. Deve ter sido inspirado naquela versão germânica de que os santos medievais saíam de aldeia em aldeia, no inverno sem fim da Europa, distribuindo presentes às crianças para alegrar-lhes a solidão imposta pelo gelo terrível. Há quem atribua a uma figura encantada, que deslizava entre a brancura das neves nas estepes, numa sublimação da primavera que se prenunciava com o aparecimento do pinheiro verde florescendo naquelas desérticas e geladas regiões. Muitos pesquisadores afirmam que sua existência não comprovada por documentos pode ser admitida numa versão polêmica de que tudo começou há mais de 1.500 anos numa cidade da Ásia Menor chamada Myra, onde teria vivido São Nicolau, o protetor das crianças a quem se atribuía dedicação de distribuir presentes. Segundo já li no jornal “Santuário de Aparecida” foram os protestantes holandeses radicados nos Estados Unidos “que substituíram São Nicolau (Sinter Claes, em holandês) por uma espécie de velho mágico e benevolente” cuja indumentária era idêntica aos habitantes de Nova Amsterdã: “botas, calças bufantes, cinturão largo apertando o grande casaco e um enorme gorro para se proteger do frio. A barba e o vasto bigode foram conservados do santo…” E essa transformação de São Nicolau em Papai Noel teria acontecido inicialmente na Alemanha, espalhando-se tal presunção aos países onde a Reforma Protestante atingiu a maioria da população, chegando até a França cuja data de comemoração passou a ser o dia 25 de dezembro. Partindo daí, atingiu logo os países católicos sendo absorvido por todos, especialmente as crianças que passaram a deixar meias penduradas em portas ou janelas para receberem doces e brinquedos. Seja qual for a versão, certo é esse velhinho que se procura impor às nossas crianças como símbolo de Natal, nunca foi conhecido nos primórdios de nossa gente e nunca habitou em nossas terras. Foi trazido pela imaginação dos colonos estrangeiros, sobretudo alemães, infiltrando-se nos hábitos luso-caboclos.  Hoje em dia a figura do intruso Papai Noel devorou até os presépios, em torno dos quais nós grapiúnas sempre comemoramos o Natal. Ele impera absoluto, dominando os lares, ruas e cidades. Virou símbolo comercial, elemento impulsionador das campanhas promocionais da sociedade de consumo. Modificou hábitos e mente de nosso povo. Veja-se a decoração do shopping, onde o que existe de maior atração é o suposto “castelo” ou “casa” de Papai Noel, onde as crianças como uma grande conquista tiram até retratos no colo do “bom velhinho” ! Quem for ao Shopping Jequitibá ou transitar por qualquer rua comercial da cidade, vai deparar-se com as mais diferentes formas de enfeites sempre pondo em destaque e expondo o velho intruso muitas vezes até em paisagens com neve caindo. Meu Deus, neve caindo em nosso país tropical!

Não consigo e nem quero imaginar uma sociedade humana subordinada ao culto de uma fantasia. A figura de Cristo e sua Palavra que serviram de bússola para o Homem nos últimos 2011 anos, deveriam sobrepujar tudo, permanecendo vigorosamente atuais e concretas. Cabe-nos, portanto, acolher como verdadeira fonte de vida. No Natal, quem deve ser exclusivamente festejado é “ÊLE” ! Porque é o SEU aniversário.

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Walmir Rosario

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