CANAVIEIRAS: O TRÂNSITO CAÓTICO DE CADA DIA

Bicicletas fora da ciclofaixa, motos em velocidade e pedestre com medo

Um caos! Assim pode ser definido o trânsito de Canavieiras. E o que é pior, não tem data para que o trânsito possa ser civilizado, como em qualquer uma das cidades brasileiras, nos termos do nosso Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Atualmente, a responsabilidade é do Estado da Bahia (Detran, Ciretran, Polícia Militar), que não dá a mínima para discipliná-lo, implantando sinalização vertical e horizontal, bem como mantendo a fiscalização.

Projeto para municipalizar o trânsito em Canavieiras existe e foi apresentado pelo prefeito Almir Melo para a apreciação do poder legislativo em novembro de 2014 e até hoje sem aprovação. Em 2017, o prefeito Dr. Almeida voltou a apresentar o projeto de municipalização do trânsito e a criação da Junta de Administrativa de Recursos de Infrações (Jari), mas ambas continuam em tramitação.

Enquanto isso, o cidadão canavieirense enfrenta, diariamente, uma verdadeira escaramuça para circular pela cidade, notadamente nas áreas compreendidas nas avenidas Assis Gonçalves e Rio Branco com a proximidade da feira. Outro trecho bastante complicado é na rua 13 (avenida Octávio Mangabeira), próximo ao cruzamento com a avenida Rio Branco, além da avenida Osmário Batista até a praça Maçônica.

Circular – principalmente – nesses locais é uma aventura digna dos filmes de Indiana Jones, em que surgem vários obstáculos a serem vencidos, em que um simples descuido poderá se transformar num acidente. Pedestres, bicicletas, motocicletas e veículos de quatro rodas disputam espaço como um esfomeado um prato de comida, daqueles bem cheios e de causar inveja aos mais gulosos.

Há muito, o Código de Trânsito foi relegado ao desconhecimento, ou simplesmente atirado ao lixo. Não há o mínimo respeito dos condutores em relação à hierarquia das responsabilidades dos diversos participantes do trânsito. Nesse caso, cabe maior responsabilidade ao condutor do maior veículo, ou seja, ônibus ou caminhões, passando para os veículos de 4 rodas mais leves, as motocicletas, bicicletas e os pedestres.

Como não bastassem essa barafunda, mão e contramão fica ao gosto do condutor, que também estaciona ao seu bel-prazer, não importando o sentido da via. Outra irregularidade bastante comum é o estacionamento nos canteiros centrais de avenidas, muitas das vezes com o fechamento ou estreitamento da pista; ou distante do meio-fio, conforme o art. 181 e seus inciso.

Um dos maiores riscos no trânsito de Canavieiras, na verdade, é a convivência de veículos de 4 rodas com motocicletas e bicicletas. As motos não respeitam as faixas de rolamento, tampouco as calçadas, estejam ou não com pedestres. Já a maioria das bicicletas não possuem freio e é comum o ciclista sair de uma rua lateral e entrar na principal em toda a velocidade, obrigando os condutores de veículos frear repentinamente.

Rua 13: muitos ciclistas não trafegam na ciclofaixa

Omissão ou indisciplina – Diante desta constatação, fica a pergunta: os usuários do trânsito de Canavieiras são simplesmente indisciplinados, por falta de educação, ou estão mal acostumados pela inércia do Estado (ente federativo)? Qual o motivo da passividade dos órgãos que deveriam planejar, sinalizar e fiscalizar o trânsito nos limites do município de Canavieiras?

Tempos atrás, conversando como um ex-comandante 71ª Cia Independente de Polícia Militar (71ª CIPM), ele foi bastante claro em dizer que todos os esforços estariam sendo direcionados para o combate ao crime. Para ele, a PM agiria apenas quando solicitada para uma ocorrência ou para as blitzen, no sentido de coibir a circulação de veículos sem documentos, roubados e condutores sem habilitação.

ASSISTA AO VÍDEO DO TRÂNSITO CAÓTICO

Andamento na Câmara – Em 6 de novembro de 2018, a Câmara de Vereadores submeteu os projetos de Municipalização do Trânsito à apreciação de instituições da sociedade organizada e à população, através de audiência pública. Integram a municipalização, os projetos de criação do Departamento Municipal de Trânsito – DMTRAN (027-2018) e da Junta Administrativa de Recursos de Infração – JARI (028-2018).

Os projetos têm como relatores os vereadores Professor Vitor Fábio (criação do Departamento Municipal de Trânsito) e Tiago Medrado (criação da Junta Administrativa de Recursos de Infração, considerados de importância fundamental para o desenvolvimento de Canavieiras. Com base nessa premissa, os relatores resolveram auscultar a sociedade para buscar mais subsídios e aperfeiçoar os projetos de autoria do Poder Executivo, caso haja necessidade.

Entretanto, os projetos geraram muitas polêmicas quanto aos cargos a serem criados – todos de livre provimento do prefeito (cargos em comissão) – refutados pelos vereadores, que querem profissionais com conhecimento de trânsito e concursados. Outros questões como o corporativismo de algumas classes, principalmente dos mototáxis, acreditam que a municipalização impedirá o seu trabalho, pois muitos não possuem habilitação ou motocicletas regularizadas.

Diante dos impasses, o vereador Vitor Fábio considerou que os projetos são relevantes para Canavieiras e que a abertura de um canal de diálogo entre o Executivo e Legislativo será de grande valia para que possa ser apreciado e aprovado, com as mudanças propostas pela sociedade. Neste caso, o Município integrará o Sistema Nacional de Trânsito, após a realização dos convênios com os órgãos federal e estadual de trânsito.

Enquanto isso não acontece, fica bem clara a omissão do Governo do Estado da Bahia em relação à segurança do cidadão, principalmente com o trânsito, considerada uma das atividades que mais causam mortes no país. Diante disso, fica a pergunta da sociedade: a falta de pessoal com competência para o exercício do cargo, bem como de recursos para a implantação de toda a infraestrutura adequada para tornar o trânsito na cidade ordenado e utilizada dentro dos padrões de educação e da legalidade, é responsabilidade de quem?

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  1. 23rd dezembro 2018 | Arenilson says: Responder
    Além de ser uma bela reportagem, é também um pedido de socorro. Sem estatística anotada,mas várias pessoas idosas encontram-se em casa com problemas de locomoção,devido atropelamentos de motos e bicicletas.

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