BRASÍLIA JÁ NÃO É A MESMA

Walmir Rosário*

Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Essa assertiva de cunho popular cabe mais do que nunca nos petistas que compõem os cargos no Governo Federal e Congresso Nacional. Antes autodenominados paladinos da moralidade pública, hoje se empanturram com sinecuras de alto escalão para suas mulheres (no caso dos ministros), ou para amigos de caráter duvidoso.

De “Waldomiros Diniz” o Palácio do Planalto está cheio. Aliás, Brasília já não é a mesma de antes, quando o próprio presidente Lula declarava em alto e bom som ser o Congresso Nacional um valhacouto de 300 canalhas. Agora, esse tipo de população aumentou geometricamente e as notícias de malversação dos recursos públicos grassam nos noticiários da imprensa de todo o mundo.

Se antes os parlamentares petistas se gabavam de, como minoria, ter poderes para barrar a pauta do Congresso via regimento interno, hoje usam uma tropa de choque (formada pela base aliada) que faz matar de inveja os congressistas remanescentes da ditadura militar. Para eles, o que manda é pragmatismo (expressão bastante utilizada pelo ditador Ernesto Geisel) e ética é coisa de ex-comunista descompromissado com os interesses do País.

Para não dizer que não falei de flores, nossos ex-éticos, na vontade indômita de continuar com as benesses do poder (antes coisa da burguesia), avançaram sem dó nem piedade para o erário público, distribuindo recursos a torto e a direito. Esse dinheiro, no entanto, tinha destino certo: ajudar a eleger os companheiros petistas, cujos índices de aceitação do eleitor nas pesquisas de opinião de voto não são satisfatório. Em outras palavras: estão rejeitados pelo povo.

O caso mais escandaloso foi o de São Paulo, onde a companheira Marta Suplicy não encontra respaldo eleitoral nem para ser eleita inspetora de quarteirão. Somente na famosa edição extra do Dário Oficial da União foi publicada a dotação para a Prefeitura paulistana, no apagar das luzes, foram destinados R$ 52 milhões. Tratamento muito diferente teve a Prefeitura carioca, cujos recursos não passaram de parcos R$ 2 milhões. Mas aí tem um agravante: César Maia é filiado ao PFL e as pesquisas indicam que ele ganha disparado as eleições de 3 de outubro.

Itabuna também vem recebendo tratamento diferenciado em relação aos municípios da região. Enquanto o petista Geraldo Simões nada em dinheiro federal, prefeitos de outros partidos têm que mendigar de gabinete em gabinete e as emendas orçamentárias não são liberadas. Como alunos aplicados de Maquiavel (o fim justifica os meios) o governo do PT usa dois pesos e duas medidas sem a menor parcimônia, apesar de ter execrado essa máxima antes de chegar ao poder.

Com a cautela e sabedoria que lhe são peculiares, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence, proibiu o repasse de verbas para convênios cujas obras ainda não foram iniciadas. Parecer neste sentido já tinha sido emitido pelo Procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, condenando um outro parecer da Advocacia Geral da União (AGU), favorável à liberação.

Resguardando o bem público, Cláudio Fonteles ressaltou ser o grande problema eleitoral do País a conscientização dos eleitores. Para ele, voto é como consciência, não se vende. A mesma opinião de Fonteles tinha o PT em eleições passadas. Aqui mesmo em Itabuna um dos slogans usados na campanha que elegeu Geraldo Simões à Prefeitura de Itabuna era: “No meu voto mando eu”, numa clara alusão ao voto consciente do eleitor que não se vende.

Hoje, esses mesmos políticos, com as algibeiras entupidas de dinheiro público, mandam esquecer tudo que pregaram durante anos e tentam enxovalhar a consciência do eleitor-cidadão comprando coligações e eleitores. Já cantava o velho Luís Gonzaga muitos anos atrás: “Seu doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. A Justiça tarda, mas não falha.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 10-07-2004

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