BAIÃO DE DOIS PARA COMEMORAR O ANIVERSÁRIO DE TONHÃO

Do fogão para a mesa

O confrade Antônio Alves, ou simplesmente Tonhão, com assento fixo na Confraria d’O Berimbau, completou mais uma primavera no jardim da existência (número que ele guarda em segredo) no último dia 5 de julho e se candidatou a receber os confrades e família para uma refeição bem fornida. E como não poderia deixar de ser, marcou a data de 13 de julho, numa das assembleias da Confraria d’O Berimbau.

Acabrunhado de tanto ver o majestoso fogão gentilmente doado pelo confrade visitante José Augusto Ferreira Filho sempre escanteado e apagado, me chama ao canto me propõe que prepare o almoço ao vivo, enquanto os confrades esquentam e gelam as goelas conforme a bebida. Proposta aceita, fiquei de elaborar um cardápio de sustança como do gosto e paladar dos confrades.

E o prato escolhido foi nordestino como nós, Baião de Dois, fácil de preparar e melhor ainda para saborear pelos cerca de 20 frequentadores que costumam aparecer quando não há nenhum assunto extraordinário para ser tratado. Na data aprazada, o 13 de julho, véspera da Queda da Bastilha e o dia (falso) consagrado a São Boaventura, padroeiro de Canavieiras, me apresento com disposição de preparar a iguaria.

Além do aniversário de Tonhão, com direito ao canto de parabéns e muitas palmas, também era dia da estreia do chapéu de Chef de Cozinha, importado diretamente da Alemanha pelo secretário Plenipotenciário da Confraria d’O Berimbau, Gilberto Alves Oliveira (Gilbertão). Era muita festa para um dia só, mas café pequeno para um sábado dos confrades.

Às 10 horas, em ponto, chego com as compras e vou logo exigindo do presidente da Confraria, Zé do Gás, que me coloque à disposição tábua de corte, panelas, frigideiras, facas bem afiadas, colheres grandes e concha. Com os equipamentos e alimentos em mãos, adianto o cozimento do feijão fradinho e do arroz, cozidos separadamente (claro), somente com pouco sal.

As duas panelas do fogo, passo a cortar a carne seca (jabá da boa), o bacon, a linguiça calabresa, o queijo coalho e os temperos (ou cheiro, como queiram) verdes. Como já tinha dessalgado a jabá, levo-a ao fogo para uma fervura e reservo 200ml da água da jabá. Ao mesmo tempo, frito o bacon, a linguiça e a carne seca. Mesmo não admitindo beber em serviço, atendo, de forma parcimoniosa, aos convites e sorvou uma boa dose de cachaça e uns dois copos de cerveja.

A cachaça, aliás, foi trazida especialmente por Gilbertão de Minas Gerais, onde passou cerca de um mês recarregando as baterias em Betim e adjacências. Para provar suas andadas, não poderia deixar de comprovar com as garrafas e um embrulho de torresmo, servidos como entrada ao lado de biscoitos poca-zói, amendoins, jujubas e outras especialidades de Tyrone Perrucho.

Enquanto os convidados chegavam, os confrades colocavam a proza em dia e se distraiam entre um gole e outro. Enquanto isso, eu não descuidava das panelas de arroz e feijão, pois tinha que tirá-las do fogo assim que tivessem ao dente. Como enquanto o frade descansa carrega pedras, fritei o bacon, a linguiça e comecei a fritar a carne. Reservando cada item, assim que a carne ficou pronta chegou a hora de dar forma ao Baião de Dois.

Mesmo com a pressa de Reinaldo Benevides (restaurante Panela de Barro) em provar da iguaria, pois estava de passagem marcada para Itabuna, não dei muita bola, já que a finalidade era deixar o prato com todos os requintes para atender ao paladar mais exigente. Na panela grande em que fritei a jabá fui adicionando, aos poucos, o bacon, a calabresa, o feijão e o arroz, mexendo sempre para incorporá-los por igual.

A decoração do prato – na panela – é uma operação mais demorada, por levar o bacon, a linguiça e o queijo coalho. E essa espera não estava nos planos de Panela de Barro que viajou sem provar, embora Zé do Gás resolveu consolá-lo com uma porção devidamente guardada para sua volta. É que, após colocarmos o queijo coalho por cima, temos que tampar a panela e esperar que comece a derreter, aí é só distribuir o tempero verde e pronto.

Baião de Dois pronto e servido, chegou a hora de posar para as fotos, sentar um pouco para descansar as pernas e participar mais ativamente do bate-papo. Uma das preocupações na elaboração do Baião de Dois é manter cada um dos ingredientes com seu sabor original, daí cozinhá-los separados. No feijão apenas um pouco de sal e folhas de louro; no arroz uma pitada de sal e cúrcuma. Com pouco sal, é só colocar os 200ml da água da fervura da jabá por cima, ajustando o sal. Agora, é só comer, bem e muito.

INGREDIENTES (serve mais de 20 pessoas)

1 quilo de feijão

1 quilo de arroz

2 quilos de jabá

800 gramas de linguiça calabresa

800 gramas de bacon

1 quilo de queijo coalho

uma cabeça de alho (fritado com a carne)

duas cabeças de cebola (fritado com a carne)

pimenta-do-reino (o quanto baste)

pimenta jamaica (o quanto baste)

Cúrcuma para o arroz (o quanto baste)

tempero verde (cebolinha e coentro)

Sal (o quanto baste)

Até a próxima!

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Walmir Rosário

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