AZEVEDO, O ÍDOLO DE VANE

Walmir Rosário*

Não sei como se chama essa síndrome que acomete costumeiramente os políticos brasileiros, sobretudo os prefeitos. De tanto falar mal dos antecessores, começam a se espelhar neles. Aqui em Itabuna “esse mal” tem sido uma constante, embora alguns deles desvirtuem ou, quem sabe, não consigam inspiração para tanto.

O caso mais recente é o prefeito Claudivane Leite (Vane), que busca constante inspiração no seu antecessor, capitão Azevedo. Parece até que o prefeito anterior deixou um manual de usos e costumes (e até estilo…quem sabe?) de presente para o atual.

Todas as ações mambembes de marketing deixadas pelo capitão é seguida à risca por Vane, talvez por falta de inspiração melhor…mas é fato. Desfile de máquinas pelo centro da cidade, tentativas de reformas administrativas que se transformam em piada junto aos servidores são alguns itens do repertório.

A mais recente foi uma reunião com os ocupantes de cargos comissionados na Usemi, clube de recreação dos servidores, mas novamente utilizado pelo executivo com finalidade diversa. Como sempre, reunir os comissionados para as pressões políticas, já que os cargos são de livre provimento, bastando, para isso, vontade e caneta do prefeito.

Com uma eleição que se aproxima, apesar dos mais de 12 meses de distância, é chegada a hora de dar o rumo das urnas. O resto é balela. Mesmo que ainda não liberada, é chegada a hora da propaganda eleitoral oficial dar seus primeiros passos, com a apresentação dos candidatos ungidos pelo executivo, apresentados como o amigo de Itabuna e “salvador da pátria”.

Fora disso não tem sentido essa reunião, pois os casos de ordem administrativa devem ser tratados em particular, pelos secretários e demais chefes, de acordo com a hierarquia. A “roupa suja – como se diz – deve ser lavada em casa”, com a solução para os possíveis desvios de conduta administrativa. Fora disso é assédio moral.

Esperamos que a próxima ação do prefeito Vane não seja copiar – ou tentar – os usos e costumes pessoais de Azevedo, a começar pelos trajes. Mesmo porque não poderá vestir o uniforme militar. Outros hábitos não são recomendados, pois criariam constrangimentos de ordem religiosa; tampouco o de marketing, pois falta consistência.

Mas como se diz que “o costume do cachimbo deixa a boca torta”, é de se esperar que no espelho de Vane seja refletida a imagem de Azevedo nas diversas secretarias. Haja vista a desconfiança em que são tratados os servidores efetivos e que têm obrigações e vínculos com o Município. Enquanto a turma comissionada é passageira, o servidor fica.

Na verdade, ao que parece Vane pretende impor aos primeiro e segundo escalões a honestidade, que não é um atributo ou virtude apenas deles, posto que os que aí encontraram também os são, até prova em contrário. Existem normas rígidas que regulam o serviço público e pautam a conduta do servidor. Basta aplicá-las nos casos requeridos. A legislação existe para coibir eventuais desvios.

É preciso que alguém, de sã consciência, avise ao prefeito Vane que o ladrão age assim é por ser desonesto e ainda encontrar quem o deixe agindo com desonestidade. Caso fosse honesto não seria preciso advertência alguma. Vale ressaltar, que tanto é desonesto aquele que furta, rouba, desvia como o que usa o cargo público para nada fazer, agindo com desonestidade para com a população que paga seu salário.

Quem sabe o prefeito Vane não buscou se inspirar em Azevedo por ter achado bonito o seu ex-companheiro de partido, Geraldo Simões, tentar ser uma cópia de Fernando Gomes. De tanto falar mal de Fernando, Geraldo chegou a adotar o uso das roupas de estilo country. Há quem diga que ao tentar copiar a tratamento popular de FG, tenha divulgado o populismo, o que é uma lástima.

Voltando ao prefeito Vane, seria de bom alvitre não desperdiçar esforços como o da Usemi, pois a questão está mais em cima. Quem não sabe liderar ou não transmite liderança, vai ter que recorrer aos “gerentes”. Só a título de lembrança, antes mesmo do evento em que o prefeito iria anunciar o seu secretariado, eles não resistiam a um chamado de repórter com microfone na mão.

O defeito está na origem. Mas enquanto houver vida, existirá a esperança!

* Radialista, jornalista e advogado

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