ATÉ QUANDO?

Walmir Rosário*

Desde o anúncio do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, garantindo a liberação dos recursos para o combate à vassoura-de-bruxa, a região aguar com ansiedade que seja cumprida a promessa feita pelo mandatário maior do Brasil. Não há quem não acreditasse na palavra empenhada pelo presidente da República em sua visita a Ilhéus e à sede da Ceplac, onde conheceu o trabalho de pesquisa feito pela instituição.

A região não esperava que o presidente Fernando Henrique Cardoso viesse até nós somente para fazer anúncios eleitoreiros, por conta de sua “briguinha” particular com o ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Este, aliás, também nos tinha empenhado sua palavra na liberação dos recursos tão necessários à renovação da cacauicultura. A bem da verdade, até que chegou algum dinheiro, mas parece que carimbado.

“Dinheiro carimbado” é a palavra certa, pois a nós parece e na realidade é o que está acontecendo, faltam garantias para os produtores ter acesso ao financiamento. O que não se concebe é que o presidente da República não tenha conhecimento dos trâmites legais e da burocracia, mas mesmo assim faça promessas eleitoreiras. Se esses anúncios merecessem mais seriedade, o mínimo exigido seria mais conhecimento da matéria.

Enquanto o dinheiro não chega – para alguns, pelo menos –, vamos encontrando os culpados. Inicialmente, o vilão era o banco do Brasil, que também cometeu seus pecados e hoje purga por eles. Depois, a Ceplac e a sua morosidade para elaborar os projetos, notícias infundadas, segundo os técnicos. O excesso de documentação também esteve na pauta, o que até agora pode ser comprovado.

O tiro de misericórdia na cacauicultura, no entanto, foi deferido pelo Governo Federal, ao não ter a capacidade de se sobrepor às dificuldades existentes e refazer todo o processo. Afinal, vale a pena produzir cacau ou não? Vale a pena exportar, trazer divisas, ou não? Ou ainda melhor, importar cacau para nossas indústrias mandando nossos caros e escassos dólares para a África e os países asiáticos produtores de cacau? Cabe aos homens do governo responder.

Enquanto isso, nos chegam notícias de que o Ministério da Agricultura incluiu a cacauicultura no financiamento do plano de custeio de safra, uma informação de certa forma inócua, desde que seja mantido o atual modelo de contratação. Afinal, se não conseguimos distribuir os recursos existentes para todos os produtores de cacau, como então poderíamos pensar na chegada de novos recursos?

Para concluir, os técnicos reconhecem que, apesar da dificuldade do produtor em contratar o financiamento, o dinheiro está se acabando. Como sempre, muito nas mãos de poucos, o que não mais expressa a realidade de uma nova lavoura de cacau. A lavoura bem administrada e mais próxima do produtor também exige recursos.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 10-08-2002.

Author Description

admin

No comments yet.

Join the Conversation