AS VÍTIMAS DA CAMPANHA ELEITORAL

Walmir Rosário*

A campanha política de 2014 começou com baixa entre os candidatos a cargos eletivos. Dez dias após sofrer um acidente de carro e ficar internado no interior do Espírito Santo, o deputado estadual Glauber Coelho (PSB) morreu na manhã de ontem. Ele é o segundo político do PSB vítima de acidente durante a campanha de 2014. A primeira vítima fatal foi o candidato à Presidência da República Eduardo Campos.

Segundo informações veiculadas na imprensa nacional, já ocorreram quatro acidentes (um de avião e outros três automobilísticos) envolvendo políticos durante a campanha de 2014. Em São Paulo, Espírito Santo e Maranhão. Foi registrado também um acidente de carro na pré-campanha, com um deputado federal de São Paulo.

Fora os acidentes, agora as novas vítimas da campanha eleitoral são os jornalistas. Eles são duramente criticados pelas direções de campanha e pelos militantes partidários que não admitem perguntas mais sérias e contundentes aos candidatos, principalmente durante a realização das entrevistas.

E nas emissoras de televisão o “Deus nos acuda” é ainda muito maior, a exemplo que está acontecendo com o editor e apresentador do Jornal Nacional, da TV Globo, William Bonner. O pecado cometido por Bonner foi exercer com exatidão a sua profissão de jornalista: fazer perguntas aos entrevistados.

E se as perguntas foram consideradas pelos militantes como um pouco mais duras, “eles caem em cima” do jornalista, que passa a ser chamado de “pau mandado” da oposição ou do capitalismo; ou dos esquerdistas, caso o entrevistado seja da chamada direita. E tome difamação no coitado do capacitado do profissional.

Não é de agora que os profissionais de imprensa têm “sua cabeça a prêmio”, ou pelo menos, “rifada” pelos ocupantes do poder. E nossos “democratas de coturno” fazem isso sem qualquer cerimônia, para ostentar a pose e mostrar aos subalternos quem é que verdadeiramente manda.

Feliz do jornalista que tenha sofrido esse tipo de violência, por ter agido com isenção durante o desempenho do seu mister profissional. Essa é uma demonstração que age com independência e dignidade no exercício de sua atividade. Afinal, integridade e caráter fazem grande diferença nos dias de hoje.

Caso o jornalista assuma sua condição de transigente, será pelos mesmos críticos chamados de “chapa-branca”, por atuar no sentido de privilegiar esse ou aquele entrevistado. Mas na política é assim mesmo: é difícil quem tenha condição de discernir pessoas e comportamentos quando não lhes interessa.

Os que agora criticam William Bonner são os mesmos que sempre cobraram uma conduta isenta da imprensa nas eleições passadas, quando seus candidatos não eram consagrados pelos votos dos eleitores. É gente deste tipo que gosta de confundir adversários como inimigos.

Mas a democracia tem dessas coisas. Todos devem e têm o direito de manifestação, embora precisem respeitar, também o direito dos outros. De um lado ou de outro, estavam acostumados apenas a reclamar, a brigar, como se a violência fosse a solução de todos os males.

Entretanto, mal maior não existe do que respeitar as diferenças sem segregar; agir com intolerância e atitude sectária quando é através do diálogo que distensões são relaxadas. Há os que quebram e não envergam e os que envergam mais não quebram, mas, acima de tudo a democracia deve ser respeitada.

*Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosário

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