AS IMPLICAÇÕES DE UMA NOVA PONTE ILHÉUS – PONTAL

Julio Cezar de Oliveira Gomes*

Há hoje um movimento organizado em Ilhéus que pede a construção de uma nova ponte ligando o bairro do Pontal ao Centro de Ilhéus. Pode-se notar isso na imprensa regional, na internet, e também em adesivos colocados na parte traseira de dezenas, talvez centenas de carros que circulam na cidade.

Fala-se sobre a construção da nova ponte ligando, mais exatamente, as proximidades do Morro de Pernambuco à Praia do Cristo. Isto resolveria o problema dos engarrafamentos entre a Zona Sul e o Centro da cidade, correto?

Não necessariamente. Primeiro porque o problema não é só de fluxo de tráfego sobre a ponte já existente, mas de distribuição deste fluxo no Centro de Ilhéus, que está no limite de sua capacidade de suportar o tráfego de veículos. Na verdade, quem não suporta mais tal volume de tráfego são as principais vias do Centro da cidade.

Estas vias do Centro teriam que merecer uma intervenção radical, o que talvez seja mais complicado do que a construção da nova ponte. Ao chegar à praia do Cristo o tráfego intenso teria que escoar via Dois de Julho e Soares Lopes para daí ser distribuído para o Malhado, ou direcionado para a avenida Itabuna.

Em todas estas hipóteses o que se verifica é a continuidade da sobrecarga de vias que hoje estão muito próximas de seu limite máximo de uso, ou que terão de merecer total remodelação, pois foram projetadas priorizando aspectos residenciais, comerciais ou paisagísticos, e não o escoamento de veículos em si mesmo.

Além destes aspectos, há de se considerar que a construção da nova ponte no local acima mencionado implica, na prática, na destruição de duas praias: a do morro de Pernambuco e a do Cristo, ambas de forte apelo histórico, cultural e paisagístico. A depreciação do Centro da cidade torna-se evidente.

Na verdade, a solução mais adequada talvez fosse a construção de uma via expressa ligando a Zona Sul à Rodovia Ilhéus Itabuna, e esta ao Iguape, fazendo um semi anel rodoviário que possibilitasse ao tráfego deslocar-se entre os bairros da cidade sem ter que passar pelo Centro, tal como ocorre hoje.

O semianel não é coisa só de capital, nem é sonho impossível. A vizinha cidade de Itabuna possui uma via expressa que faz com que o tráfego vindo de Ilhéus possa, ao entrar próximo a uma grande churrascaria, dirigir-se à BR-101 sem passar pelo Centro de Itabuna.

É compreensível a ânsia por solução de quem se estressa todos os dias em engarrafamentos ao longo da atual ponte Ilhéus Pontal. Nesse sentido a nova ponte poderá satisfazer uma necessidade imediata de muitos, e talvez seja mesmo imprescindível. Porém é preciso pensar não só no hoje, mas a médio e longo prazo.

Sem ilusões em relação aos limites e ao custo urbanístico de uma ponte ligando o Morro de Pernambuco ao Cristo, prefiro defender para Ilhéus a construção de um semianel rodoviário que retire do Centro o encargo de ser passagem obrigatória para todas as rotas.

Sei que hoje poderei estar quase solitário nesta defesa, mas tenho certeza de que todos os que hoje clamam pela construção de uma nova ponte estarão, no dia seguinte à sua inauguração, defendendo a ideia de um semianel rodoviário que proporcione novos vetores de crescimento para a cidade de Ilhéus.

*Graduado em História e em Direito pela Uesc – Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail juliogomesbr@ig.com.br

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Walmir Rosario

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