ARMISTÍCIO É SELADO NO ALTO BECO DO FUXICO

Walmir Rosário*

Graças a Deus tudo foi bem resolvido dentro dos bons níveis de civilidade, conforme recomendam os manuais de convivência e boas maneiras, evitando a judicialização da discordância na gloriosa Confraria do Alto Beco do Fuxico, em Itabuna. Pelo que podemos apurar até agora – já que os temos do acordo ainda não foram publicados –, foi acordada a data de 25 de janeiro de 2019, uma fatídica sexta-feira, para que o bar da Confraria volte a funcionar.

Pelo que soubemos à boca pequena, até mesmo o horário fez parte do armistício, 17 horas, desde que o todo-poderoso Mirinho se disponha a abrir as portas, com as cervejas previamente geladas e os tira-gostos prontos. Mirinho, como se sabe, não é lá muito cumpridor de regras, podendo haver um certo atraso no horário da abertura, mas que será entendido e relegado pelos confrades.

O certo é que o inconstitucional Decreto-Lei editado por José d’Almeida Senna perdeu a validade, com a assinatura do acordo, perdendo sua validade, bem como as hostilidades das partes empreendidas nessa guerra fratricida. Pelo armistício, não haverá qualquer tipo de punição para os que cometeram as costumeiras hostilidades, pois o acordos, segundo os juristas de plantão, terá força de anistia.

Para os que não estão acompanhando o grave problema criado na Confraria do Alto Beco do Fuxico, lembramos que a dias recuados, como diria o saudoso jornalista Eduardo Anunciação, o José d’Almeida Senna editou um Decreto-lei instituindo férias coletivas no Bar da Confraria. O tresloucado édito polemizou nas fileiras confradianas, que prometeram recorrer da conflitante medida.

Pelas análises jurídicas, jamais e em tempo algum, caberia férias coletivas, por ser Mirinho o único funcionário da Confraria, portanto, medida sem previsão legal para ser editada. No mínimo, dizia a parte ex-adversa, o ato correto seria o recesso entre os confrades, o que causou tamanha celeuma entre os confrades, por entenderem ser cerceados dos seus direitos personalíssimos de beber sua cerveja diária onde lhes aprouver.

Mas como José d’Almeida Senna é um profissional equilibrado, fez valer os seus quatro anos em que alisou os bancos universitários no Rio de Janeiro e os livros e apostilas de Administração consultados, negociou os termos do acordo. A partir de agora, nada de judicialização, e os confrades, enquanto o dia 25 de janeiro não chega, poderão iniciar os treinamentos etílicos no Fuxicaria do Beco, bem ao lado do ABC da Noite.

Esses cabras são tão privilegiados e ainda criam banzé com pequenas filigranas jurídicas! Parece até que são macacos de auditório dos julgamento do STF mostrados na TV. Pelos meus cálculos, não têm o que fazer e ficam criando ingrizilhas, como diria o filósofo Iram Marques, o velho Cacifão.

* Radialista, jornalista e advogado, e que ninguém saiba, frequentador do beco

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