A SAÚDE NA UTI

Walmir Rosário*

Muito se tem falado sobre a atual situação da saúde em Itabuna. Mesmo com a municipalização plena, hoje gerida pela Prefeitura, o sistema vem mostrando suas falhas estruturais e conjunturais, desabando seus malefícios na cabeça da população desassistida, como sempre acontece.

Grande parte das mazelas do sistema de saúde é causada pelo modelo gerencial, que prioriza um grande volume dos escassos recursos da saúde, para a propaganda. Quem assiste televisão, ouve rádio ou lê jornal acredita estar vivendo num mar de tranquilidade, diante das (des)informações passadas ao público comum.

Todos os problemas foram resolvidos pela administração Geraldo Simões e adoecer nesta cidade se transforma num privilégio. Pessoas (previamente escolhidas) dão depoimentos de que foram bem atendidas e num tempo recorde, bem diagnosticadas, bem tratadas, receberam os medicamentos de graça e não veem a hora de retornar aos hospitais.

Esse tipo de desinformação deveria ser vista com outros olhos pelas autoridades do Poder Judiciário e do Ministério Público, zelosos guardiões da Constituição Federativa do Brasil. Ao que parece, esse tipo de propaganda não está estribada no parágrafo 1º do artigo 37 da Carta Magna, que diz: “A publicidade dos atos, programa, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.

Essa parte do artigo 37 foi transformada em “letra morta” pelas autoridades, que não têm dado nenhum respaldo ao preceito constitucional e os crimes cometidos pelos administradores públicos grassam sem qualquer cobrança. A agravante, nisso tudo é que a população passa a receber informações falsas e vão digerindo essas “meias verdades” até que elas se tornem uma “verdade inteira”, como dizia o ministro das comunicações de Hitler, Goebels.

O cidadão não precisa acreditar neste humilde foliculário, basta se dirigir a um dos postos de saúde e tentar marcar uma consulta. Um exame, então, é coisa para muitos meses, caso não use do jeitinho brasileiro, ou seja “amigo do rei”. Uma simples dor de dente não é resolvida antes de, pelo menos, 15 dias. Se for uma radiografia dentária é o tempo de um parto de égua.

Caso o sujeito tente ser atendido num hospital, é necessário passar por um estágio preparatório de paciência, orar com bastante antecedência para São José, padroeiro desta cidade, e todos os santos juntos, no sentido de que eles dêem uma forcinha. Feito isso, poderá chegar ao pronto-socorro da Santa Casa e aguardar um só médico plantonista dar conta de todos os casos que chegam: acidentados, doenças das mais generalizadas, e outras misérias do cotidiano.

Caso seja recomendado a ir para o Hospital de Base, aí são outros quinhentos. Nesse caso, haja paciência. Após o demorado atendimento, o que não é culpa do pessoal (médico, enfermeiros e atendentes), que também sofre com essa situação esdrúxula, o paciente ainda corre risco de ser internado. Aí é onde mora o perigo.

Além do risco de infecção hospitalar, os equipamentos estão em estado de miséria, com camas enferrujadas, sem lençóis, e colchões sem forro. Falta de tudo, desde medicamentos, em alguns casos tomados emprestados de outros hospitais, até profissionais.

De antemão, vou logo alertando que essas mal traçadas linhas foram escrevinhadas com o objetivo de dar conhecimento ao prefeito Geraldo Simões e ao secretário da Saúde, Paulo Bicalho, da realidade da saúde em Itabuna.

Caso essas autoridades não reconheçam na minha humilde pessoa a devida competência para tanto, por ser considerado radical ao extremo quando se trata de cidadania, poderei apresentar uma pessoa mais qualificada, um cidadão acima de qualquer suspeita para relatar o que se passou com ele numa peregrinação para prestar socorro a um doente. Trata-se de uma ilustre figura, aposentado do Banco do Brasil, e bem estabelecido na cidade, comandando a Livraria Oásis.

Podem perguntar a Aécio José dos Santos, que ele, além de confirmar o que escrevi, ainda acrescentará outras tantas informações preciosas para tentar tirar a saúde de Itabuna da UTI. Não se acanhem, seu Aécio é pessoa de fino trato, sabe receber bem e dará uma grande contribuição à Administração Pública.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado no Jornal Agora em 17-07-2004

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