A POLÍTICA DÁ UMA GUINADA

Walmir Rosário*

Com a morte do presidenciável Eduardo Campos, a política brasileira dá uma guinada espetacular e novas estratégias são colocadas no tabuleiro de xadrez da campanha eleitoral. Para o lugar de Eduardo Campos, o nome mais cotado é o de Marina Silva, candidata a vice.

Para o lugar de Marina, nomes do próprio partido são colocados à disposição, embora outros sejam lembrados, como o de Roberto Freire, presidente do PPS, primeiro partido a se coligar com os socialistas. Mas isso ainda tem prazo para acontecer.

E a revolução da mudança não acontece somente no PSB. No PT, o coro dos descontentes já pede a volta do ex-presidente Lula, por acreditar que a atual candidata, a presidenta Dilma Rousseff, não seria páreo para enfrentar Marina Silva, cujo nome está em ascensão.

E não é pra menos, pois nós brasileiros – como toda população latina – somos bastante emocionais. E a política sempre foi uma atividade apaixonante. Até esse sentimento a morte de Eduardo Campos está ressuscitando em nós.

Apesar de todas as conjecturas, quem decidirá mesmo a substituição do posto deixado por Eduardo Campos será o conselho político dos partidos coligados. No mais, tudo é o mais simplório exercício de elucubração feita pelos analistas políticos e adversários, estes querendo escolher o futuro adversário.

Seja quem for o candidato ou a candidata, terá de assumir o legado deixado por Eduardo Campos em sua peregrinação política pelos quatro cantos do Brasil. Não dá para desassociar o PSB que fica sem o cabedal político deixado pelo ex-governador pernambucano. E isto ninguém duvida.

Quem sabe os ensinamentos deixados por Campos não sirvam de exemplo para a condução de uma campanha eleitoral ética, sem as conhecidas baixarias. E isso não é pedir muito, mas, apenas, solicitar o respeito aos eleitores que ainda se atrevem a assistir ao programa eleitoral.

Por enquanto, assistimos a uma trégua provocada pela comoção social que tomou conta da sociedade a forma abrupta e violenta que causou a morte de Eduardo Campos. Esperamos que essa paz seja duradoura e que os candidatos se comportem como meros adversários e não inimigos figadais.

Que a tragédia sirva de ponto de partida para a realização de uma campanha civilizada e que os pontos de vista dos candidatos sejam apresentados dentro das regras de boa convivência.

Caso esses preceitos não sejam mantidos, só restam aos eleitores cobrar aos candidatos o respeito aos valores éticos e morais. Que a lição deixada por Eduardo Campos possa nortear os rumos da política brasileira.

* Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosário

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