A EXPOSIÇÃO CRESCENTE DA INDIVIDUALIDADE

Walmir Rosário*

É incomensurável o grau de exposição da individualidade do cidadão. É o Estado, com todo o seu poderio, bisbilhotando o indivíduo nas mais diversas formas. Ao comprarmos um simples aparelho telefônico, seja ele fixo ou celular, estaremos sujeitos a dividir nossas conversas, nossa individualidade, com os órgãos de segurança do Estado.

Não importa se estamos falando de coisas banais, marcando um encontro para uma festa, trocando juras de amor com a pessoa enamorada, ou acertando negócios. Tudo fica registrado para sempre nos computadores dos SNIs da vida.

O homem, cada vez mais, se torna escravo do homem. A cada equipamento eletrônico e de informática que você adquire fica mais exposto. Um simples e-mail fica registrado nos modernos supercomputadores dos órgãos de segurança dos Estados Unidos.

Além de sermos bisbilhotados aqui, ultrapassamos as fronteiras internacionais e somos tratados com a importância que não temos. Tudo sobre a ótica da periculosidade que poderemos representar É a espionagem que corre solto, sem qualquer freio ou segurança para o cidadão.

Em países mais avançados no que tange à individualidade do cidadão, a Justiça tem agido em defesa da privacidade digital. Agora mesmo, nos Estados Unidos, a Suprema Corte decidiu, por unanimidade, que a Polícia necessita de mandados de busca para realizar pesquisas de dados em aparelhos celulares de pessoas envolvidas em prisões.

No texto da decisão, juiz afirma que a grande quantidade de dados contidos nos smartphones modernos deve ser protegida de inspeções de rotina. O que mais nos surpreende é que o aparato policial, com a autorização judicial ou não, é zeloso ao ouvir as conversas dos cidadãos livres, mas não consegue barrar a entrada de aparelhos celulares nas prisões.

Além de comandarem os crimes de dentro das penitenciárias, com toda a liberdade, os bandidos ainda têm toda a liberdade, mesmo por trás das grades para forjar sequestros e extorquir dinheiro das vítimas. É o Estado todo-poderoso demonstrando sua incompetência.

O Estado, criado para ser um gerenciador das coisas públicas do cidadão, se volta contra ele e passa a tratá-lo como um inimigo. Mas quem sofre esse permanente constrangimento é o cidadão livre de qualquer suspeita e que cumpre com seus deveres.

Tratamento inverso recebe os que não teriam esse direito e que recolhidos a uma prisão, possuem regalias de fazer inveja a qualquer cidadão comum.

  • * Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosario

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