A AGRICULTURA COMO EXEMPLO

Walmir Rosário*

Com a descoberta do ataque da vassoura de bruxa nos cacauais do Sul da Bahia – antes tido como inacessíveis a essa terrível doença – a mentalidade do povo grapiúna vem se conscientizando para a necessidade de evolução da agricultura regional. Não estamos aqui faltando da evolução tecnológica realizada pelos técnicos da Ceplac, da Uesc e outras instituições que tanto contribuíram na descoberta do tratamento da doença, no combate às pragas em novas, tolerantes e produtivas espécies de cacaueiros ou de outras atividades agropecuárias.

Estamos abordando uma questão mais ampla, a mudança do comportamento regional, acreditando na cacauicultura como seu principal ramo de atividade, sem, no entanto, depender essencialmente dos resultados desta cultura, tão subordinada a vários fatores. Como exemplo dessa dependência estão as adversidades climáticas, aos baixos preços conseguidos no mercado internacional, dos níveis de infestação da vassoura de bruxa, dos índices de endividamento do produtor e até mesmo da vontade dos industriais em importar cacau africano de qualidade duvidosa.

Hoje, passados 10 anos de convivência com a vassoura de bruxa, as transformações sociais podem ser vistas a olhos nus. Claro que estamos longe de viver numa “Califórnia ao Sul do Equador”, onde sobram empregos e riquezas, mas sim onde há confiança no futuro. Que região seria capaz de atravessar por duas crises conjuntas – a da cacauicultura e a nacional – vencendo a luta contra a vassoura de bruxa, transformando a pecuária – de leite e corte – e a criação de equinos, todas atividades que utilizam recursos tecnológicos de última geração, sem falarmos nas atividades industrial e turística, que crescem substancialmente.

Além da atração de divisas para a capitalização da economia regional, existe também um chamamento para transformar a Região Cacaueira da Bahia num centro de geração de inteligência. Exemplos cristalinos dessas mudanças estão acontecendo na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), com a criação de cursos voltados para a agropecuária, a exemplo de Agronomia e Medicina Veterinária; nas Emarc’s, que ministram cursos de nível técnico para atividades agropecuária e agroindustrial.

Essas iniciativas consolidam as atividades do agrobusiness pela exploração vertical dos imóveis rurais através de gestão empresarial, com o objetivo de produzir mais, com qualidade e baixo custo, elevando o nível de competitividade requerido por um mercado cada vez mais globalizado. Daqui pra frente, o importante não é só produzir muito, e sim produzir dentro de padrões adequados e compatíveis como o tipo de atividade. Para tornar isso possível, o produtor rural deve sair do isolamento e ir em busca de novos conhecimentos e parcerias junto às associações, cooperativas e fornecedores. Do contrário estará fadado a mudar de ramo.

Mais uma vez a Região Cacaueira da Bahia dá uma prova inequívoca de confiança no futuro, principalmente na atividade agrícola, haja vista o conjunto de parceiros que o Jornal Agora buscou para concretizar o primeiro suplemento rural – o Agora Rural – porta-voz do segmento socioeconômico agrícola, o mais importante no contexto regional.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado no Agora Rural em 26-07-1988

Author Description

admin

No comments yet.

Join the Conversation