QUE EXPLODAM OS MAIS FRACOS, COMO SEMPRE

Walmir Rosário*

Desde que o mundo é conhecido que o rio corre para o mar. Não poderia ser diferente, pois alteraria a ordem das coisas e estaríamos vivendo em pandemônio, no qual os mais fracos já nasciam predestinados a não alcançar outros status. Ainda é assim em alguns países, inclusive na Índia, onde até hoje prevalece o sistema de castas, sem chance alguma de alçar oportunidades da vida social.

É triste viver num sistema atrasado como esse, em que “o cabra já nasce marcado para morrer na mesma estratificação dos seus antepassados”. No mundo moderno não cabe mais situações estapafúrdias deste tipo. Mas no Brasil de hoje é assim, com a implantação de um modelo capitalistas sui generis, no qual os governos trabalham incessantemente para ajudar os que têm mais.

E ilustro esse artigo com uma foto da parte exterior da única agência lotérica de Canavieiras, onde diariamente é formada uma interminável fila para os que desejam efetuar algum pagamento. Cartão de crédito, água, energia, comprar crédito para o celular, pagar conta do telefônico fixo, prestação de uma compra qualquer em boleto, todos os tipos de pagamento têm que passar por ali.

Pelo que soube, o movimento das agências lotéricas, tem como maioria de usuários os que fazem pagamentos, superando, em muito, os apostadores das diversas loterias mantidas pela Caixa Econômica Federal (CEF). Em outras palavras, o acessório superou o principal. O certo é que o número de apostadores se resumem a gatos pingados, pois algumas apostas também podem ser feitas pelos clientes através do site da Caixa.

Os comerciantes de dinheiro – banqueiros, incluídos aí os governos que têm bancos – tripudiam dos mais pobres, escorchando sem dó nem piedade os que não têm poder de negociação. É o chamado “prato feito”, em que quem necessita de algum recurso precisa aderir a contratos leoninos, apesar da nossa farta legislação de defesa e proteção ao consumidor.

Primeiro, em nome da segurança, se convencionou que os pagamentos de salários deveriam ser feitos por meios bancários, numa conta escolhida livremente pela empresa empregadora. Só que os empregados, além de pagarem regiamente por esse serviço, ainda eram obrigados a manter o vínculo com o estabelecimento bancário indicado pela empregadora. Com a lei da portabilidade alguma coisa mudou, mas sem grande significado.

Entretanto, os que não têm dinheiro para encher os olhos da diretoria e gerentes dos bancos continuam sofrendo muito. Para depositar o seu dinheiro – parcos recursos disponíveis – são obrigados a aderir a uma cesta de serviços, que onera em muito o pobre do trabalhador. O mais vergonhoso dessa relação banco X cliente é que você entrega o seu suado e parco dinheiro por uma taxa pífia e quando precisa é obrigado a comprar dinheiro por juros absurdo, estratosféricos.

Atualmente, propostas de bancos diferentes já se encontram à disposição da população que utiliza os recursos digitais no seu dia a dia, e que por esses serviços não precisa pagar taxa alguma. São os bancos digitais, sem qualquer agência física, acessados por PCs, tablets e smartfones em todas suas transações, como depósitos, cartões de créditos sem anuidades e aplicações.

Infelizmente, por enquanto, esses bancos digitais ainda não estão acessíveis à população de baixa renda e aos que não usam a internet e os computadores como ferramentas de trabalho, inclusive o financeiro. Em vista disso, as agências lotéricas e os correspondentes bancários continuarão de difícil acesso. Já as agências bancárias vêm se tornando proibitivas para qualquer cidadão desprovido de recursos financeiros.

É o Brasil!

*Radialista, jornalista e advogado.

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