NO LUGAR E HORA ERRADAS

Walmir Rosário*

Enquanto aqui no Brasil passamos os dias tentando debater sobre a validade e a continuidade da Operação Lava-jato, a justiça da França confirma em grau de recurso, a condenação do deputado paulista Paulo Maluf (PP-SP). Lá, os franceses aplicaram uma pena de três anos de prisão, além de multa de 200 mil euros (R$ 725 mil), por crime de lavagem de dinheiro, fato ocorrido naquele país entre 1996 e 2003.

Aqui por essas bandas não temos visto e ouvido notícias das traquinagens praticadas por Paulo Maluf com o dinheiro público, haja vista não aparecer no Mensalão e na Lava-Jato. Entretanto, estar fora dessas duas esculhambações não lhe dá um atestado de boa conduta, como tentou apresentar por muito tempo, o que conseguiu, em parte, nesta terra brasilis.

Se entre nós teve algum êxito não conseguiu o mesmo intento lá fora, especialmente na França, Suíça e Inglaterra, onde as investigações foram feitas de forma célere e séria. Além do deputado Paulo Maluf, também têm ficha suja nesses países sua parentela, especialmente sua esposa Sylvia e o seu filho Flávio.

Essa alta soma de recursos apreendidos na Europa seriam de malandragens feitas com o suado contribuinte paulista, nos tempos em que Paulo Maluf se jactava de ser o maior prefeito da cidade paulistana. A construção de um viaduto aqui, um túnel por ali ou um conjunto residencial Cingapura (com C, mesmo), para que a propina fosse tamanho família.

E todo esse dinheiro, como de todos os tubarões da época, eram direcionados para os bancos suíços e de outros paraísos fiscais, considerados símbolos de segurança. E realmente foram, até que as autoridades desses países começassem a investigar a origem, de tantos recursos. E não deu outra: a casa caiu. Não dos conjuntos habitacionais para a população de baixa renda, mas a de Paulo Maluf.

Mesmo diante de todas as negativas (próprias dos políticos) de que tais somas de dinheiro não lhe pertenciam (acredito que fez escola após Lula firmar coligação com Maluf para apoiar o deputado apoiar se candidato Haddad), os gringos chegaram à origem criminosa. Já em nosso Brasil varonil, o processo pesa e caminha com muita lentidão entre os cartórios e salas de audiência, haja vista a quantidade de recursos, em sua maioria protelatórios.

Nosso tem tão operoso deputado e sua estimada família não pode aparecer pela França – onde apareciam com a mesmo frequência de que vou caminhar na praia – sob pena de serem todos presos. Mesmo assim não descuida dos processos, para os quais contratou batalhões de advogados das melhores bancas desses países.

Se lá não vão, para evitar quaisquer desentendimentos com Interpol, o deputado Paulo Maluf e sua estimada família desfrutam das suas mansões nas melhores cidades, cada uma devidamente apropriada para cada estação do ano. Como eram useiros e vezeiros desses paraísos internacionais, deixam essas temporadas para o deleite dos emergentes, os conhecidos new rich.

Por incrível que pareça, Paulo Maluf teve mais sorte dos que seus colegas de parlamente e os políticos do executivo, pois não tem a Rede Globo lhe atazanando durante todo o dia e o dia todo. É verdade que já passou por isso em tempo recuados, e sabe muito bem o que a “bola da vez” sofre. Deve ter sido questão de oportunidade.

Por outro lado, faltou a Paulo Maluf – caso estivesse no meio do Mensalão e da Lava-Jato, ou outra qualquer de somenos importância – a condição de dispor de um fã clube. Sim, hoje, na atual política brasileira, o cidadão comum deixou a condição de ser apenas um eleitor de cabresto para ostentar o status de idólatra de bandidos do seu partido.

Paulo Maluf jura inocência. Sei não, acredito que encontrava no lugar e na hora erradas.

*Radialista, jornalista e advogado.

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