80 ANOS, PARABÉNS PRO “VELHO” ZITO

Walmir Rosário*

Poucas pessoas têm a sorte – e a saúde, dizem alguns – de chegar à marca dos 80 janeiros. Principalmente quando estão antenados com o mundo, de posse de todas as condições físicas e mentais, distribuindo simpatia e experiência para a turma mais nova e que ainda não alcançou o grau de 100% da sabedoria.

E neste domingo, 14 de abril de 2019, tenho a satisfação de comemorar os 80 anos do meu amigo e colega (advogado) José Oliveira Santana, carinhosamente chamado de Zito Baú. Sinto não estar próximo para abraçá-lo fisicamente, mas me contento em usar as redes de sociais de comunicação e parabenizá-lo por esses canais.

Eu, assim como a minha geração criada aí no bairro da Conceição, rogamos à Nossa Senhora Padroeira deste maravilhoso cantinho de Itabuna para que o cubra de bençãos por muitos anos. Acredito, que pela sua índole amistosa, as gerações mais novas também rogarão à Virgem da Conceição pelo amigo.

Desde bem menino, a partir dos meus 3, 4 anos de idade que conheço e aprendi a gostar de Zito, como toda a garotada que se reunia religiosamente, à noite no “jardim” (como chamávamos a nossa praça. Assuntos do mais variados na ordem do dia, principalmente o futebol do Rio de Janeiro.

Vasco da Gama era e ainda é o seu time, mas não se negava a relatar – aos atrasados – as resenhas esportivas das poderosas emissoras de rádio do Rio de Janeiro sobre as demais equipes de futebol. Para nós, era uma enciclopédia, pois sabia como ninguém o dia a dia dos clubes cariocas, e ainda por cima paulistas, e de outros estados brasileiros.

Apesar de torcemos pelos times do Rio e São Paulo, a conversa girava com mais emoção ao falarmos dos times de nossa “freguesia”, os amadores bons de bola. Também tínhamos os nossos Flamengo, Fluminense, Botafogo (aí do bairro), sem falar no Grêmio, Janízaros, Corinthians, Bahia e até o Itabuna (amarelo e preto).

Vascaíno, como já falei, Zito tinha uma grande responsabilidade com o Botafogo juvenil, do qual foi técnico durante anos a fio, a ponto de quem não o conhecesse acreditar que seria botafoguense. O dever acima de tudo e ele comandou uma legião de craques revelada nos campinhos de baba do bairro da Conceição (Abissínia, para os despeitados).

Sabia como ninguém conversar com todas as faixas etárias, com o carinho de sempre, quando interlocutor merecia, desconversar e ser duro quando o assunto exigia. Na maior parte das vezes, Zito recebia um pedido de desculpas e continuava a dar os conselhos de sempre à garotada. Foi nosso primeiro psicólogo.

Rádio de pilha ao ouvido, sabia fazer gracejos com os torcedores dos times adversários, sem jamais tratá-los com indelicadeza, grosseria ou desprezo. Por isso mesmo cultivou uma legião de admiradores, aumentada ao longo do tempo com o mesmo despojamento e postura adotada em toda sua vida.

Na Ceplac, onde trabalhamos junto por algum tempo, vibrava com a vitória dos amigos na área profissional como se estivesse comemorando um gol de placa do centroavante do seu Vasco da Gama. Aposentado, continuou sua lida como advogado no poder judiciário com a mesma dedicação e fidalguia.

Alguém haverá de retrucar se não vejo nada de negativo em seu comportamento, pois até agora somente teci loas ao amigo Zito Baú… Sinceramente, não sei citar, ou melhor, até que me lembro. Não era tão bom de bola como queria ser e como também que os outros fossem, mas tinha lugar garantido “nos babas” (peladas) pelos campinhos afora.

Quase que passo batido quanto ao aniversário do velho amigo Zito, não fosse a chamada de atenção de outro amigo nosso, Raul Vilas Boas, meu grande consultor sobre temas futebolísticos e de amizade da nossa turma. Raul, por mim chamado de “Marcial”, por achá-lo parecido com o goleiro do Flamengo. Mas essa é outra história.

Parabéns, Zito, até o próximo aniversário!

* Radialista, jornalista e advogado

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