“Santana quis dar uma cartada e se deu mal”, diz Carqueija

A questão dos limites dos municípios de Ilhéus e Itabuna ultrapassou a Ilha dos Quiricós e se transformou numa polêmica sem precedentes, mobilizando políticos das duas cidades. Pessoas mais cautelosas temem o retorno da rivalidade entre a população de Ilhéus e Itabuna. A questão é a proposta do deputado estadual coronel Gilberto Santana, em transferir para Itabuna o bairro do Salobrinho e os distritos de Inema, Pimenteira e Banco Central.

O vereador Paulo Carqueija (PT) aprovou na Câmara de Ilhéus, uma Moção de Repúdio ao deputado e ainda pediu a suspeição dele na Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

CIA DA NOTÍCIA – Vereador, o senhor levantou uma polêmica na Câmara de Ilhéus ao pedir o afastamento do deputado coronel Gilberto Santana da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa. O senhor não teme que isso reacenda a rivalidade entre Ilhéus e Itabuna?

VEREADOR PAULO CARQUEIJA – De maneira nenhuma, agi com legitimidade ao defender o município de Ilhéus. Fiz isso em fórum próprio, no Plenário da Câmara e não pelas esquinas. Quem está tentando reinventar a polêmica e a rivalidade é o coronel Santana, agindo de forma pouco recomendável para um parlamentar, inclusive dizendo que representa o povo de Itabuna, o que duvido muito.

CIA DA NOTÍCIA – Anteriormente, o deputado coronel Santana propôs um projeto de criação a Região Metropolitana do Cacau. Qual sua opinião sobre isso?

VEREADOR PAULO CARQUEIJA – Até agora não consigo entender como um deputado propõe uma indicação positiva e na semana seguinte chega à região desfazendo tudo que tinha apresentado antes. Parece até que o deputado teve um comportamento doentio, que somente a psiquiatria poderá explicar. A região metropolitana é um exemplo de como as cidades de Ilhéus e Itabuna podem ter uma convivência democrática, tirando proveito social, econômico e até político, através da atração de recursos junto ao Governo Federal. Entretanto, não consigo entender essa mudança repentina.

CIA DA NOTÍCIA – Voltando ao problema dos limites, o deputado Santana disse que a Lei 12.057, de 11 de janeiro de 2011, permite que sejam refeitos os limites estabelecidos pela Lei nº 628/1953, haja vista que Itabuna está prejudicada no seu crescimento. Isso procede?

VEREADOR PAULO CARQUEIJA – De jeito nenhum. Esse argumento do deputado não resiste a uma simples análise histórica, econômica e política. Se ele tivesse conhecimento talvez não passasse por um constrangimento desses, pois ao emancipar Itabuna, o novo município ficou com uma área de mais de 14 mil quilômetros quadrados. Se hoje só possui 440 km2 é porque emancipou seus distritos.

O município de Itabuna se estendia por essa Bahia afora, fazendo divisa com Itapetinga, no hoje município de Itororó; por outro lado até Ibicuí, inclusive; pelo Sul, passava pelos antes seus distritos de Buerarema e São José da Vitória, Jussari, que foi emancipado nos anos 80. Então esse argumento não tem a menor sustentação.

CIA DA NOTÍCIA – E sobre a necessidade de crescimento…

VEREADOR PAULO CARQUEIJA – Essa é outra falácia. Se o deputado tivesse se dado ao trabalho de realizar uma pesquisa, não entraria numa fria dessas. Todos os estudos apontam que o crescimento de Itabuna se dará pelo lado Oeste e Sul, em direção aos municípios de Itajuípe, Ibicaraí e Buerarema. O estudo mais recente foi feito pelos técnicos da Universidade Federal da Bahia, a Ufba, durante a última administração do PT.

O trabalho tem o respaldo de uma equipe multidisciplinar que realizou um amplo diagnóstico sobre o urbanismo da cidade, apontando os pontos fracos e fortes e de que forma se daria esse crescimento. Depois, isso foi referendado pelo Governo do Estado, quando Paulo Souto era governador, que chegou a criar um programa chamado de “Humanização de Cidades”, mas que não chegou a executar em Itabuna.

Esses são dados históricos que podem ser obtidos junto à Prefeitura de Itabuna e ao Governo do Estado. Como deputado, o coronel Santana tem todas as facilidades em conseguir esses estudos. Com isso, poderia ter evitado todo esse desgaste político em Ilhéus, onde obteve uma boa votação, e até em Itabuna, pois tenho convicção de que as ideias do deputado não são as mesmas da população. Foi uma aposta política que não deu certo.

CIA DA NOTÍCIA – Na entrevista ao programa ALERTA GERAL, da RÁDIO SANTA CRUZ, o deputado coronel Santana disse ao radialista GIL GOMES que a população do Salobrinho quer a mudança para Itabuna. O senhor tem conhecimento disso?

VEREADOR PAULO CARQUEIJA – Isso não existe, eu também ouvi a entrevista e o que ele deixou escapar foi que um grupo de pessoas lhe procurou, o que não representa a vontade de toda uma população. O que o deputado deixou transparecer na entrevista foi a forma autoritária com que pretende impor seus projetos. Hoje o Brasil é outro, a Bahia não é aquela do atraso e do autoritarismo de ACM que agia com “malvadeza”. Estamos em plena democracia e os projetos têm de ser debatidos em fórum legítimo, com a população e não “empurrado goela abaixo”, como ele quer.

CIA DA NOTÍCIA – O senhor está insinuando que o deputado teria outras intenções?

VEREADOR PAULO CARQUEIJA – Claro, isto está mais do que límpido. Essa história é um blefe, Santana quis dar uma cartada e se deu mal. Quando o deputado fala em tomar o Salobrinho para Itabuna não demonstra conhecimento de urbanismo e nem sabe que ali é um bairro de Ilhéus.

Como deputado, Santana dever ter conhecimento de que na área do Salobrinho estão previstos vários projetos empresariais, como dois postos de combustíveis no Makro e Atacadão, a implantação de duas concessionárias de veículos importados, e a implantação de conjuntos residenciais de alto nível, no estilo Alphaville, próximo ao Atacadão, além de outros conjuntos habitacionais populares, já em início de construção.

A proposição do deputado é mesquinha, irracional, incivilizada e antidemocrática.

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Walmir Rosario

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